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Resgate da Zona Portuária

Jornal do Commercio, Daniel Cúrio e Luan Seixas, 26/jul

Local será chave para a Olimpíada de 2016

A zona portuária terá papel fundamental nos Jogos Olímpicos de 2016. A promessa foi feita pela Prefeitura do Rio ao Comitê Olímpico Internacional (COI), durante a candidatura da cidade a sede da Olimpíada. Para o prefeito Eduardo Paes, os preparativos para o megaevento devem ajudar regiões em decadência a retomar a força. Ele quer levar os dois equipamentos que abrigarão os jornalistas nacionais e internacionais na Olimpíada - Centro de Mídia e Vila de Mídia, que atualmente estão projetados para serem construídos na Barra da Tijuca - para os bairros do entorno do porto.

Paes apresentou em maio à delegação do COI uma maquete do Centro e da Vila, juntamente com uma proposta de transferência desses equipamentos da Barra da Tijuca para o Porto, próximo à Avenida Francisco Bicalho. A apresentação desta mudança foi feita durante a primeira reunião do Consórcio Olímpico governamental formado pelos três níveis de governo - União, Estado e Município - e pelo comitê organizador Rio 2016.

De acordo com Eduardo Paes, a decisão do COI não será rápida, pois a comissão terá de avaliar se de fato o projeto é bom para a cidade. "O que dei de garantia para eles, ao propor a transferência de algumas coisas para a área do porto, é de que em nenhum momento deixaremos de cumprir com o que assumimos no contrato firmado. Apenas argumentamos que essa adaptação seria melhor para a cidade, e que teria um impacto muito positivo para os jogos", conta Paes.

O objetivo de transferir esses equipamentos, na avaliação do prefeito, é aproveitar a oportunidade da realização da Olimpíada e ajudar a dar mais impulso ao projeto Porto Maravilha. "Agora, precisamos de uma avaliação deles, por isso vamos aguardar. O que nos deixa otimistas é exatamente a preocupação constante do COI de que a Olimpíada precisa deixar legados para as cidades sedes e isso já um bom sinal", completa Paes.

Na avaliação do presidente da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), Rogério Chor, a zona portuária é o melhor local para construir a insfraestrutura para a imprensa e a Vila Olímpica. "O porto é a última zona urbana da cidade que ainda pode ser explorada e é bem localizado. Ele é perto da estação de trem, da rodoviária, tem uma vista bacana, e tem uma área grande para fazer uma implantação urbanística bonita. Portanto, não restam dúvidas que a zona portuária é a solução", afirma o presidente da Ademi.

Chor diz que a Olimpíada é um marco para o Rio de Janeiro e que precisa ser explorada da melhor maneira possível, de modo que áreas ainda em desenvolvimento ou em decadência da cidade sejam também beneficiadas. "Só o fato de ligarmos a zona portuária ao evento já promove um clima de ânimo entre investidores. O poder público, contudo, precisa administrar de maneira sadia a questão da construção de moradias, para que não se tenha algo desordenado e saturado", pondera.

PARCERIAS. O secretário municipal de Desenvolvimento e presidente do Instituto Pereira Passos, Felipe Góes, afirma que o COI levará de três a seis meses para dizer se aceita ou não a transferência do Centro e da Vila de Mídia para a região. "Estamos muito confiantes que a proposta será aceita. Este projeto tem a possibilidade de maximizar o legado da Olimpíada. Desta maneira, os jogos deixarão uma marca de transformação ainda maior para a cidade."

O presidente do Instituto dos Arquitetos do Brasil no Rio de Janeiro (IAB-RJ), Sérgio Magalhães, também professor da Universidade Fe¬deral do Rio de Janeiro (UFRJ), diz que está lutando para que os investimentos programados para a Olimpíada de 2016 sejam mais vantajo¬sos para a cidade como um todo.

Magalhães conta que depois que o projeto Porto Maravilha foi lançado por Paes, ele passou a levantar a bandeira de que zona portuária é o melhor local para levar os investimentos públicos direcionados à Olimpíada. "O IAB fez uma parceria com a Prefeitura, na qual juntamos forças para que esta proposta seja real. Estamos dando total apoio a Paes em levar uma parte das atividades olímpicas para o porto", conta.

Segundo ele, a zona portuária tem grande importância histórica, pois foi a partir desta região que o Rio de Janeiro se constituiu como cidade. "O porto que fez com o Rio se tornasse capital do império. Foi o porto que também permitiu, quando houve a grande remodelação de Pereira Passos, no século 20, que o Rio se transformasse na Cidade Maravilhosa. Naquela época, o porto foi capaz de conseguir recursos ingleses, e com isso, tivemos chance de construir a Avenida Central, hoje conhecida como Rio Branco", explica.

O presidente do IAB-RJ acredita que se os equipamentos olímpicos forem para a zona portuária, o local terá poder de atração de investimentos privados. "Hoje, o porto está praticamente inoperante. Neste cenário de Jogos Olímpicos, contudo, surge novamente a chance de o porto puxar investimentos estrangeiros para o Rio. Com estes equipamentos na região, a zona portuária fomentará investimentos que darão nova força para o Centro Histórico do Rio", diz.

EQUIPE. Inspirado em modelos seguidos por cidades que tiveram sucesso na organização dos Jogos Olímpicos, Eduardo Paes assinou em maio um decreto que cria o Instituto Rio 2016.0 objetivo, segundo ele, é ter uma equipe exclusivamente voltada para o acompanhamento dos cerca de 70 projetos, o que dará agilidade e transparência à execução, além de acompanhar a fiscalização orçamentária. O novo órgão ocupará o galpão da escola de samba Unidos do Porto da Pedra, na zona portuária.

"Vimos que as cidades que foram bem sucedidas na organização da Olimpíada separaram as atribuições do dia a dia da cidade das dos jogos. Nós temos a secretaria Rio 2016, que cuida também da Copa e dos Jogos Mundiais Militares. Contudo, percebemos que ou a gente se dedica a uma área da administração pública municipal para analisar tudo de Olimpíada, ou dificilmente conseguiremos tocar os jogos. Com isso, resolvemos profissionalizar essa questão", diz Paes.

Embora seja subordinado à Secretaria Especial Copa 2014 e Rio 2016, o nome do secretário Ruy Cezar não foi cotado para a presidência do Instituto. A preferência de Eduardo Paes é que ele seja o representante da Prefeitura na Autoridade Pública Olímpica (APO), criada por medida provisória pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A APO é um consórcio que reúne os governos federal, estadual e municipal, e coordena praticamente todas as obras do evento.

A Autoridade coordenará ações de planeja¬mento e entrega de obras para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, na capital fluminen¬se. O consórcio, acertado já na época da candi¬datura do Rio à sede, funciona como uma garantia oferecida pelo Brasil ao COI.

Aquário pronto para deslanchar

As obras do Aquário Marinho do Rio de Janeiro (AquaRio) começam até o final de outubro, com conclusão prevista para agosto de 2012. Todas as licenças dos órgãos municipais e ambientais já foram obtidas, segundo o diretor-presidente do empreendimento, Marcelo Szpilman. O maior aquário marinho da América Latina ficará na zona portuária da cidade no antigo armazém frigorífico da Cibrazem. O investimento total será de R$ 110 milhões no projeto, que terá 27 mil metros quadrados de área construída, 12 mil animais marinhos de 400 diferentes espécies, em mais de 5 milhões de litros de água.

O AquaRio vai reunir atrações para crianças e adultos, usando tecnologia inéditas no Brasil. No espaço vai funcionar também o Centro para Recuperação da Fauna Marinha, para abrigar animais que forem capturados na natureza ou de instituições que não tenham condições de mantê-los. Szpilman destaca que a cidade precisava de um espaço como este que reúne lazer, cultura e cuidado ambiental.

"O cuidado com o meio ambiente e com a sus- tentabilidade vai estar presente em todos os momentos desde o início das obras", conta Szpilman. "Podemos definir o AquaRio como um depositário de biodiversidade que vai funcionar como uma locomotiva para a revitalização da zona Portuária".

O diretor da Kreimer Engenharia, Roberto Kreimer, explica que a empresa é general contractor do projeto, sendo responsável por garantir que a obra seja executada dentro do tempo e orçamento previstos. Kreimer ressaltou que a zona portuária será uma das regiões mais importantes da cidade. Para ele, o prefeito Eduardo Paes e sua equipe rea¬lizaram um trabalho impecável para a concretização do projeto Porto Maravilha. "O AquaRio agora está em fase de detalhamento do projeto executivo, para depois começarem as obras".

Diversas opções de entretenimento estão previstas no projeto, como um complexo que reprouz os biomas da Amazônia e do Pantanal, um museu marinho, um centro de convenções, restaurante e lojas. O AquaRio terá ainda exposições permanentes e temporárias sobre temas relacionados ao ambiente marinho e aquático, que irão agregar mais conhecimento ao visitante e garantir a preservação de acervos e coleções científicas.

No espaço do aquário será criado também um departamento de educação, que promoverá programas, eventos, festivais e cursos relacionados à educação ambiental, e um departamento de pes¬quisa, que, a partir do manejo e manutenção de animais em cativeiro, realizará estudos científicos nas áreas de biologia marinha e oceanografia, em parceria com universidades e centros de pesquisa.

Além da visitação, o projeto prevê atividades adicionais, como mergulhar com peixes, raias e tubarões, e a possibilidade para crianças de dormir no aquário e aprender o funcionamento, como a alimentação dos peixes. Szpilman conta que pretende aproveitar a idéia do polvo que adivinhou os resultados de jogos da Copa do Mundo. "Já estava previsto ter o animal no aquário, mas agora vou torcer para ele acertar todos os palpites", brinca Szpilman.

PROJETO. O AquaRio vai ter alguns patrocinadores quando estiver funcionando. A Coca-Cola é a primeira empresa a fazer parte do projeto. Szpilman conta que está conversando com outras empre¬sas. Durante a assinatura da parceria em meados do ano passado, Edson Bregolato, diretor de Marketing da Rio de janeiro Refrescos, fabricante dos produtos Coca-Cola, explicou que a proposta do aquário está em linha com os valores da empresa. Para ele, o fato de unir entretenimento e pesquisa foi um diferencial, já que as pesquisas que serão realizadas no aquário marinho serão uma grande contribuição para o futuro.

"O aquário marinho poderá ser a principal engrenagem para a revitalização da zona portuária do Rio. As cidades têm investido muito nesta infraestrutura portuária, que nós consideramos muito importante", disse Bregolato.

Segundo pesquisa realizada pelo AquaRio, atualmente o maior aquário do Brasil fica no Guarujá (SP), com 1,5 milhões de litros de água e 450 mil visitantes em 2008.


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