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Duas classes de renda, um só meio ambienteO Globo, 05/ago No Estado do Rio, arquitetura sustentável ganha projetos para públicos distintos É totalmente possível substituir sistemas construtivos e materiais causadores de impacto ambiental por outros que não comprometam a natureza, dizem especialistas. Pois a partir de hoje, quinzenalmente, o Morar Bem vai mostrar o que está sendo feito em nome da arquitetura sustentável. Nesta primeira edição da coluna Jogando Verde, trazemos dois exemplos para públicos de diferentes faixas de renda: uma casa de veraneio em Araras e outra, popular, que faz parte do Centro de Energia e Tecnologia Sustentáveis, da Coppe/UFRJ e Eletrobrás. O arquiteto Marcelo Pacheco, da Casa do Futuro, construiu uma casa, em Araras, usando o conceito de sustentabilidade em todas as etapas. Parte da estrutura é metálica, o que economiza madeira. Além disso, foram usados tijolos reciclados, esquadrias de madeira de demolição e sobras de revestimentos de obras para os banheiros. Captação de água de chuva para abastecer a casa e energia solar para aquecer a água de banho são outras iniciativas, que saíram, respectivamente, por R$10 mil e R$2,5 mil. As economias médias, segundo Pacheco, são de 70% de água e 30% de energia elétrica; e o retorno do investimento, de três e dois anos. - Seria uma contradição implantarmos um sistema de reutilização de água numa casa construída com madeira nativa extraída ilegalmente; telhas de amianto, altamente tóxicas, ou tintas à base de solvente - diz. Já a casinha da UFRJ chama a atenção pelo telhado de fibra de coco (sua casca, quando jogada no lixo, vira gás metano) e pelo bambu, usado em substituição à madeira e ao aço. Os tijolos foram fabricados por meio de técnica que usa o solo local na produção das peças, que são prensadas e não queimadas. O mais inovador, porém, fica invisível: redução de 60% na emissão de carbono e economia de energia de até 90%. Dividida em dois quartos, cozinha, sala e banheiro, a casa popular ecológica tem 46 metros quadrados. O projeto é das arquitetas Andressa Martinez e Carolina Lima, ex-alunas da Coppe. Tudo está sendo monitorado: consumo de energia, comportamento dos materiais, temperatura. O custo ainda não foi medido: - Queremos comprovar a eficácia da edificação para comercializá-la - explica Sylvia Rola, uma das coordenadoras do projeto.
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